segunda-feira, 7 de setembro de 2009

E A OLD CHEGOU!

Acabo de ler a primeira edição da revista Old!Gamer, da editora Europa.


Embora minhas impressões dificilmente cheguem a conhecimento dos editores da revista, creio que vale a pena fazer algumas considerações sobre o projeto.

Antes de mais nada, cabe parabenizar a equipe pela ousadia da proposta: bancar o lançamento de uma revista não e uma empreitada barata, mesmo para empresas estabelecidas como a editora, que já tem outros títulos ligados a informática e games no mercado. Não fosse o bastante, o próprio tema da publicação é um forte indicativo das possíveis dificuldades de penetração no mercado: em uma época de tamanha perseguição ao realismo 3D nos jogos, surge um periódico para falar de criações de segunda e terceira geração. Quem lê sobre este assunto hoje (no Brasil)? E quem irá se dispor a pagar a significativa quantia de R$ 14,90 para conhecer ou recapitular memórias de algo tão particular como jogos de oito bits?

Aparentemente, há publico para isso também. Na verdade, me impressiona que haja tantos entusiastas da estética retrô dos primeiros consoles e de temas a eles ligados, mas este fato é confirmado pela grande quantidade de sites e blogs sobre o assunto. Até mesmo entre os grandes portais de jogos da atualidade é possível encontrar áreas destinadas aos retrogames e autores especialistas no assunto. E, por fim, propostas como a revista eletrônica Jogos80, do Garret (também colaborador da Old!) e o próprio RGB contam com freqüentes acessos (o que significa que alguém vai acabar lendo isso, um dia, eheheh!).


Voltando a revista, fiquei agradavelmente surpreso com a qualidade e o acabamento do material, sinal de que a empresa aposta no interesse de um publico mais exigente e que se disponha a pagar o valor da edição.


Parabenizo também a qualidade gráfica do trabalho, que soube explorar a estética dos oito bits e dar um certo ar de jovialidade, sem ficar muito datado. Creia: isto não e fácil de fazer. Admito que, por uma questão de gosto pessoal, sinto-me mais a vontade com a estética da britânica Retrogamer, mas acho que a editora foi feliz na programação visual do material.





Outra boa surpresa foi a quantidade e a variedade de matérias, que não privilegiaram um console especifico ou um segmento particular de jogo, console ou geração, transitando com versatilidade e bom humor por vários assuntos que certamente estão no imaginário coletivo dos saudosistas dos retrobits.


Falando em bom humor, me diverti tremendamente com os artigos “Donzelas em Perigo” e “Phatasmagoria”, ambos extremamente pertinentes a mídia digital (o ‘mito do heroi’ e as experimentações dos limites tecnológicos das diversas plataformas com lançamentos para lá de inusitado) e que souberam apresentar os assuntos de forma muito engraçada mas sem descaracterizar outros aspectos relevantes destas produções.


Ao que me consta, a revista sofreu um significativo atraso quanto à data de lançamento prevista (maio, se não me engano). Se isto trouxe indignação ao coração dos saudosistas ansiosos, teve um lado provavelmente muito bom: permitiu a equipe lapidar os artigos, que saíram praticamente sem erros gritantes de revisão (e há revistas de games por aí com erros medonhos, que se repetem mês a mês!) e muito inspirados, como a sessão “O que diziam por ai...E no que deu, afinal”, muito interessante e curiosa, e a matéria sobre os games do rei do pop, muito oportuna e respeitosa à memória do ícone moonwalker.


Outras passagens também me agradaram, como a matéria sobre o Atari do já citado Garret e a detalhada matéria sobre Street Fighter II, embora eu nem seja um grande fã desse estilo de jogo.


No geral, vejo pontos acertivos e muito relevantes no produto que, apesar do valor relativamente elevado em relação a outras publicações, vale seu custo.


No quesito das reclamações do leitor (acharam que iam escapar, hein?) cito poucas, mas pertinentes questões:


1) Tamanho da fonte – publicações gamísticas em geral tendem a reduzir drasticamente o campo destinado a textos para encher os olhos da garotada com as belas imagens dos games. Isto nem é necessariamente ruim, mas em se tratando de um revista em que significativa parcela de leitores já se encontra na meia idade é quase uma maldade planejada colocar aquelas fontes em corpo 6 com fundo cinza! Considerem este assunto com carinho, editores! Vocês ainda vão chegar nessa idade e vão ver o que e bom para a tosse (e para a artrite, e para o lumbago...)


2) Poster – Ok! Também sou fã do Mario, mas... alguém viu a bela arte estampada nas contra capas internas? Porque aquilo não virou um pôster em tamanho A2? Limitação de direitos autorais??? Não percam tempo, editores: façam um belo pôster com aquele trabalho e deixem seus retro leitores mais felizes, procurando o Chuck Norris de 8 bits naquele mercado de pixels!


3) Fundo translúcido – Seguindo a tônica do item 1, como podem colocar piadas tão engraçadas em um fundo tão sofrível??? Não gostam de velhinhos, é???


4) As Galerias Old – Deixa eu adivinhar: ninguém fechou a parte das propagandas e tiveram que encher lingüiça com qualquer coisa de última hora, não foi? Caso contrario, porque não gastaram este espaço falando do Commander Keen ou do Q-bert???


No mais, congratulações a toda a equipe pela primeira edição caprichada e que a Old!Gamer tenha vida longa, porque assunto certamente não vai faltar!


Aguardo desde já o próximo número. (E o poster!!!)

Um retroabraço!


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